Nasceu no dia 2 de setembro de 1946 na cidade do Rio de Janeiro um dos maiores compositores de música brasileira. Letrista, cantor, escritor, jornalista e médico foram algumas das profissões de Aldir Blanc. Começou a compor e tocar bateria ainda na adolescência e atribuiu sua versatilidade na música ao fato de ter frequentado os terreiros de candomblé desde criança.
| Foto: Alaor Filho/Estadão Conteúdo/Arquivo – durante lançamento de um livro de crônicas no Rio de Janeiro |
Antes de se dedicar exclusivamente à sua arte, ingressou na faculdade de medicina em 1966 e se especializou em psiquiatria. Mesmo na universidade, não abandonou a música e junto com outros compositores como Ivan Lins e Gonzaguinha, funda o Movimento Artístico Universitário – MAU. O jovem estudante de medicina Aldir ganhou o Festival Universitário da MPB de 1969 com a canção ‘Amigo é pra essas coisas’, interpretada pelo MPB 4, em parceria com Silvio da Silva Junior.
Abandonou a carreira de médico, em 1973, da noite para o dia para se dedicar exclusivamente à música. Teve um longo percurso em parcerias com artistas como Sílvio da Silva Junior, Cesar Costa Filho e João Bosco. Encaixava com maestria versos a melodias sinuosas e complexas. Em seus 50 anos de letristas e compositor foi autor de mais de 600 canções.
Suas composições foram gravadas por diversos artistas como Tom Jobim, Clara Nunes e Elis Regina que acabou por se tornar uma das principais intérpretes da dupla Aldir Blanc e João Bosco. Algumas de suas composições mais conhecidas são Águas de Março, o Bêbado e o Equilibrista que se tornou um hino contra a Ditadura Militar e saudava a volta dos exilados políticos em 1979, Bala com Bala, a Viagem etc. Grande fã de futebol, foi sua inspiração para outras canções como Coração Verde e Amarelo.
Publicou livros, entre os quais “Rua dos Artistas e Arredores” (Ed. Codecri, 1978); “Porta de tinturaria” (1981), “Brasil passado a sujo” (Ed. Geração, 1993); escreveu crônicas e poesias para os jornais O Dia (Rio de Janeiro), Estado de São Paulo e o Globo.
Alexandre Ribeiro de Carvalho, André Sampaio e José Roberto de Morais, filmaram e dirigiram o documentário “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá”, no qual foi traçado a trajetória do escritor através de suas letras; de sua luta pelo direito autoral e suas paixões pelo clube carioca Vasco da Gama e a Escola de Samba Salgueiro. Também foi lançado o livro “Aldir Blanc – Resposta ao Tempo”, biografia escrita pelo jornalista Luiz Fernando Viana, na qual, além da vida do escritor, foram perfiladas 450 letras de sua autoria. No ano de 2019 os jornalistas Hugo Sukman e Marcus Fernando deram início a um documentário, em parceria com o Canal Brasil, sobre a vida e obra do letrista, para o qual foram produzidas oito horas de gravações.
No dia 15 de abril de 2020 foi internando, graças a ajuda de amigos, no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, com Corona vírus, indo a óbito no dia 4 do mês posterior. Diversas homenagens foram prestadas ao autor. A Lei ficou conhecida com o seu nome em homenagem ao compositor e escritor, e prestou/presta auxílio financeiro para o setor cultural durante a pandemia do COVID-19. O projeto, que foi idealizado coletivamente por artistas, produtores e empreendedores culturais, foi uma conquista do setor cultural que foi duramente impactado pela pandemia.


