Há mais de um século, em 1900, foi declarada a epidemia da peste bubônica no Rio de Janeiro, capital do Brasil naquele período. Dias depois, foi inaugurado na Zona Norte do Rio de Janeiro o Instituto Soroterápico Federal – ISF, para fabricar soros e vacinas contra a peste, iniciando a história da atual Fiocruz.

na Fazenda de Manguinhos

Dois anos depois, Oswaldo Cruz, jovem bacteriologista, assumiu a direção geral do Instituto e no outro ano foi nomeado pelo então presidente Rodrigues Alves para o cargo de Diretor Geral da Saúde Pública. Em sua direção, o Instituto teve grandes feitos, começando pela construção do conjunto arquitetônico Manguinhos, que incluía: o Pavilhão Mourisco ou Castelo de Manguinhos; a Cavalariça; o Quinino; o Pavilhão do Relógio ou Pavilhão da Peste; o Aquário de Água Salgada; o Hospital Oswaldo Cruz; o Pombal ou Biotério para Pequenos Animais.
Em 1907, o Instituto passa a se chamar Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos e já no ano seguinte é rebatizado como Instituto Oswaldo Cruz.
O Instituto realizou uma reforma sanitária no Rio de Janeiro e erradicou a peste bubônica e a febre amarela na cidade. Por esse feito, Oswaldo Cruz e demais cientistas de Manguinhos ganharam medalha de ouro no XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim. Desbravaram o Brasil com o grande projeto de modernizar o sistema de saneamento. Foram premiados com diploma de honra na Exposição Internacional de Higiene e Demografia de Dresden, na Alemanha, pela descoberta da doença de Chagas.
Além de inúmeros outros prêmios internacionais, o instituto combateu diversas doenças como febre amarela, malária e doença de Chagas em diversas regiões do país. Durante os anos, foi implementado outros hospitais, laboratórios, clínicas e centros de pesquisas que se tornaram referência no país. Atualmente, é responsável por 80% da produção de vacina contra a febre amarela.
Recebeu a visita de famosos cientistas como Albert Einsten, Alexander Fleming (descobridor da penicilina) e Albert Saben (descobridor da vacina oral contra a poliomielite).
Teve sua autonomia interrompida nos anos de chumbo. O regime militar cessou direitos políticos de diversos cientistas do Instituto. O AI-5 e AI-10 incluíram a aposentadoria compulsória e impediam esses cientistas de trabalhar em qualquer instituição que recebesse ajuda do governo federal. O episódio ficou conhecido como “Massacre de Manguinhos”.
Em 1970, foi instituído por decreto a Fundação Instituto Oswaldo Cruz, congregando o então Instituto Oswaldo Cruz, a Fundação de Recursos Humanos para e Saúde e o Instituto Fernandes Figueira. Em 1974, dois anos depois da comemoração do Centenário de Nascimento de Oswaldo Cruz, a Fundação Instituto Oswaldo Cruz passa a denominar-se Fundação Oswaldo Cruz.
A Fundação de Recursos Humanos para a Saúde (posterior Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp)) recebeu o nome de Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, em 2003, com a morte do médico sanitarista. Atua até hoje na capacitação e formação de recursos humanos, produção científica e tecnológica e prestação de serviços de referência no campo da saúde pública. Mantém cooperações técnicas em todos os estados e municípios brasileiros e com várias instituições nacionais e internacionais atuantes em diversos campos da saúde. Em suas salas foram desenhados os projetos que culminaram na adoção do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em 1980, conheceu de novo a democracia e de forma ampliada. Na gestão do sanitarista Sergio Arouca, teve programas e estruturas recriados, e realizou seu 1º Congresso Interno, marco da moderna Fiocruz. Nos anos seguintes, foi palco de grandes avanços, como o isolamento do vírus HIV pela primeira vez na América Latina.
Ano passado, a Fiocruz comemorou, em meio à pandemia da COVID-19, 120 anos de contribuições científicas nas áreas da ciência e da saúde à sociedade brasileira. Em menos de dois meses, Fiocruz inaugurou um Complexo Hospitalar para atender pacientes graves de Covid-19. Por meio do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC, a Fiocruz foi nomeada Referência da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Covid-19 nas Américas.
A Fiocruz recebeu o registro definitivo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e passou a ser a detentora do primeiro registro de uma vacina COVID-19 produzida no país. Além de ter entregado 1 milhão e 80 mil doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Espera alcançar até o final desse mês (março de 2021) uma produção de cerca de 1 milhão de doses por dia.

Com uma história consolidada, a Fiocruz é hoje referência mundial da saúde, produz imensas teses de pesquisa com os programas de pós-graduação, inaugurou diversas instalações pelo país e ajudou na descoberta, tratamentos e erradicação de diversas doenças. É referência e orgulho de ciência no Brasil. É saúde pública. É Sistema Único de Saúde – SUS. A Fiocruz é patrimônio brasileiro.

Para conhecer mais sobre a Fiocruz e a história da saúde pública acesse:
Fonte: https://portal.fiocruz.br/linha-do-tempo http://www.funasa.gov.br/cronologia-historica-da-saude-publica https://campusvirtual.fiocruz.br/portal/?q=node/25437

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